O surrealismo foi um movimento artístico que surgiu em Paris, no início do século XX. A arte surrealista tem como característica principal a manifestação de temas imaginários, absurdos, que utilizam de interpretação de sonhos e de liberdade da mente para ser produzida. Valorizava a liberdade criativa e o inesperado, e rompia com a lógica e com a necessidade de expressão racional. Ou seja, ela rompe com a busca pelo sentido nas representações. É o surreal: aquilo que está para além do real, que é mais que o real porque transcende a compreensão racional e relaciona-se com a mente inconsciente, com o imaginário e o absurdo.
O movimento teve expressões na literatura, nas artes visuais, no cinema, no teatro e na filosofia.
Automatismo
O automatismo surrealista é um método de fazer arte no qual o artista suprime o controle consciente sobre o processo de produção, permitindo que a mente inconsciente tenha grande influência. Os surrealistas defendiam que o automatismo revelaria a “verdadeira natureza individual de quem o praticasse”, uma técnica muito mais complexa do que as “criações conscientes”, pois este seria o meio “mais perfeito para alcançar e desvendar o inconsciente”.
No desenho automático, a mão pode se mover “aleatoriamente” pelo papel. Ao aplicar o acaso e o acidente à marcação, o desenho é em grande parte liberado do controle racional. Portanto, o desenho produzido pode ser atribuído em parte ao subconsciente e pode revelar algo da psique, que de outra forma seria reprimida.
Onirismo
O onirismo é o estado de espírito em que este, em vigília, se absorve em sonhos, fantasias ou ideias quiméricas. Na medicina se refere a um estado mental que costuma ocorrer em síndromes confusionais e é constituído por um conjunto de alucinações visuais interagindo entre si e com o “sonhador” enquanto este está acordado.
No surrealismo, o onirismo é tido como técnica usada por artistas do movimento, por exemplo, Salvador Dalí fazia uso da privação de sono para composição de suas obras. Essa confusão é frequentemente interpretada como uma experiência sobrenatural, sendo estimulada como técnica dos surrealistas.
Diante de um mundo transformado pelo desenvolvimento tecnológico (a popularização da luz elétrica, da fotografia, do rádio, entre diversas outras mudanças) e os acontecimentos da Primeira Guerra Mundial (as mortes em massa e a enorme destruição causada por essa grande e duradoura guerra) afetou profundamente o pensamento europeu e influenciou diretamente as artes. Na Europa, o período entre as duas guerras (1918-1939) ficou conhecido como “os anos loucos”. Assim, a incerteza sobre a predominância da paz levou ao desejo de “viver apenas o presente”.
Neste contexto, o surrealismo surge enquanto movimento de vanguarda em 1924, período de recuperação do pós-guerra, e traz consigo a ruptura com o que é, afinal, a realidade, já que o chamado mundo real e a ordenação lógica permitiram tamanha desventura generalizada.
Este movimento foi significativamente influenciado pelas teses psicanalíticas de Sigmund Freud, que mostram a importância do inconsciente na criatividade do ser humano. Freud criou um modelo útil da mente, que ele separou em três camadas ou seções – a mente consciente, o pré-consciente, e a mente inconsciente.
A mente consciente é o que a maioria das pessoas associa com quem você é, porque é onde a maioria das pessoas vive dia a dia. A mente consciente se comunica com o mundo exterior e com o eu interior através da fala, imagens, escrita, movimento físico e pensamento. A mente subconsciente, por outro lado, é responsável por nossas memórias recentes e está em contato contínuo com os recursos da mente inconsciente.
O subconsciente é como uma “área de consultoria” onde o consciente busca as lembranças e informações de que precisa para desempenhar de maneira satisfatória suas funções. Sua posição é estratégica, pois fica entre o consciente e o inconsciente.
A mente inconsciente é o armazém de todas as memórias e experiências passadas, tanto aquelas que foram reprimidas através do trauma, quanto aquelas que foram conscientemente esquecidas e não são mais importantes para nós. É a partir dessas memórias e experiências que nossas crenças, hábitos e comportamentos são formados.
De acordo com Freud, o homem deve libertar sua mente da lógica imposta pelos padrões comportamentais e morais estabelecidos pela sociedade e dar vazão aos sonhos e as informações do inconsciente. O pai da psicanálise, não segue os valores sociais da burguesia como, por exemplo, o status, a família e a pátria.
Para ele, a arte deveria partir do irracional, pois a criatividade verdadeiramente livre provém das profundezas pouco conhecidas da psique, chamadas por Freud de inconsciente. Além da vida (e da cultura) organizada, consciente, que caracteriza determinada civilização, Freud estudou uma outra vida, mais livre e mais verdadeira, que também faz parte da civilização e não pode ser esquecida: a vida inconsciente, dos sonhos. As imagens e sensações do sonho (no próprio sonho) não se apresentam menos reais ou importantes do que as imagens e sensações do passado.
