Man Ray desenvolvia seu trabalho com espontaneidade e originalidade, sempre provocando a sociedade presente e colocando a sua ideia sobre a arte e a cultura, principal monte do movimento dadá. Trabalhava muito bem com a desconstrução da fotografia, transformando fotos tradicionais em construções de laboratórios, através de suas técnicas. Usava muitas vezes, a distorção de formas e corpos criando imagens surrealmente incríveis, ao exemplo da obra Glass Tears.
Em entrevista, Man Ray, disse: “Em lugar de pintar pessoas, comecei a fotografá-las, e desisti de pintar retratos ou melhor, se pintava um retrato, não me interessava em ficar parecido. Finalmente conclui que não havia comparação entre as duas coisas, fotografia e pintura. Pinto o que não pode ser fotografado, algo surgido da imaginação, ou um sonho, ou um impulso do subconsciente. Fotografo as coisas que não quero pintar, coisas que já existem”.
Man Ray fotografou inúmeras celebridades da época. Posaram para suas lentes: Ernest Hemingway, Coco Chanel, Salvador Dali, Jean Cocteau, James Joyce e inúmeros outros. Ray usava os editoriais de moda para suportar sua arte experimental. A fotografia de moda dele era livre de qualquer conceito pré-estabelecido, era, na verdade, uma visão do artista. A cada ensaio, um estudo, um experimento.
Black and White é uma fotografia da cabeça de Kiki de Montparnasse ao lado de uma máscara cerimonial africana carrega um título que faz referência ao processo em preto e branco da fotografia. Ela foi criada num momento em que a arte e a cultura africanas estavam na moda. Os rostos ovais dos dois parecem quase idênticos em suas expressões serenas, porém há um contraste entre o rosto pálido e macio, com a máscara preta e brilhante. Man Ray explora temas estéticos de iluminação e imagens: um oval ao lado de outro oval, um deitado de lado contrasta com outro que está ereto, um iluminado de cima e o outro de lado.
Neste quadro de Man Ray há uma mesa de bilhar disforme, um enorme móvel lúdico que se estende até ao horizonte. Acima dele flutuam nuvens tingidas com as cores do arco-íris. As imagens desafiam qualquer explicação lógica. É uma paisagem surreal, uma paisagem da mente, um produto da imaginação do artista.
O título “A Fortuna” sugere sorte. Jogos de sorte e azar aparecem frequentemente na obra de Man Ray, ligado ao dadaísmo, movimento que usava o acaso como ferramenta infalível.
Como outros surrealistas, o pintor/fotógrafo via o processo criativo como um jogo, uma atividade que requer não apenas criatividade e inteligência, mas também uma abordagem lúdica para a resolução de problemas.
Filho de judeus-russos emigrados para os Estados Unidos, o mesmo foi um artista completo: estudou arquitetura, engenharia, artes plásticas e fotografia. Man Ray foi fotógrafo, pintor e cineasta norte-americano. Man Ray, pseudônimo de Emmanuel Rudnitsky, nasceu na Filadélfia, nos Estados Unidos.
Em 1912, iniciou sua carreira artística e logo se tornou amigo dos artistas da vanguarda da pintura e da fotografia em Nova Iorque.
Em 1915, conheceu o pintor francês Marcel Duchamp com quem funda o grupo Dadá nova-iorquino. O Movimento deliberadamente provocativo queria chocar as pessoas para que saíssem de seu estado de complacência e criassem uma forma de arte livre dos valores e ideias que a haviam precedido.
O artista trabalhou como fotógrafo para financiar a pintura e, com a nova atividade, desenvolve a sua arte, a “raiografia”, ou fotograma, criando imagens abstratas (obtidas sem o auxílio da câmara) mas com a exposição à luz de objetos previamente dispersos sobre o papel fotográfico.