O artista retrata um conjunto de casas como se fossem realmente “cubos”. Na composição não é possível enxergar o horizonte ou o céu, apenas a paisagem urbana em meio à arvores. O sombreado nas casas produz profundidade ao cenário, formado em tons de cinza, verde e ocre.
O artista apresenta em sua obra uma distribuição de volumes regulares sobre a superfície da tela. Os motivos referentes a árvores e casas — ainda possíveis de serem identificados — são reduzidos a meros elementos da linguagem visual. O conjunto de edifícios é facilmente identificável. Sua posição no espaço é indicada por superposição e mudanças de escala, contudo, a realidade mais concordante ali presente é a que diz respeito à própria pintura. Com esta pintura, o artista põe fim à sua fase fauvista que durou cerca de dois anos.
O autor retratou garrafas e peixes ao longo de toda a sua carreira de pintor, e esses objetos são marcadores para diferenciar seus vários estilos. Bottle and Fishes é um excelente exemplo da incursão de Braque no cubismo analítico, enquanto ele trabalhava em estreita colaboração com Picasso. Essa pintura tem a paleta característica de tons de terra restrita, que torna objetos quase imperceptíveis quando eles se desintegram ao longo de um plano horizontal. Todo o quadro mergulha numa paleta cromática reduzida.
Perante a tela de Braque, o espectador desprevenido sentir-se-á, por certo, desconcertado. Uma observação mais atenta revela o tampo desconjuntado de uma mesa sobre o qual se distinguem as cabeças dos peixes, cujos corpos desmembrados se espalham pelo quadro, sem critério aparente.
A colagem ajudou Braque a perceber que “a cor age simultaneamente com a forma, mas não tem nada a ver com ela”. Ele fez colagens para inspirar composições de pintura, mas também como obras em si.
Em Violino e Tubo, ele escolhe um instrumento de cordas como seu assunto. Como não há evidências concretas de que se trata de um violino, é possível entender melhor como Braque está estudando as formas dentro do objeto e separando-as para movê-las, como se estivesse embaralhando um baralho de cartas.
Georges Braque foi um escultor, gravurista e pintor modernista francês. É considerado um dos principais representantes do cubismo na França. Braque iniciou a sua ligação às cores na empresa de pintura decorativa de seu pai. Em 1907, Braque conheceu o pintor espanhol Pablo Picasso e tendo ideias em comum, iniciaram uma parceria que resultou em um dos mais importantes movimentos da Arte Moderna, o Cubismo.
O trabalho de Georges Braque possui várias características que marcaram e diferenciaram o seu estilo, fazendo com que ele seja tão reconhecido. O uso das cores fortes, a temática variada e as representações abstratas são algumas delas. Dentre os temas preferidos e muito comuns em suas obras aparecem as pinturas de naturezas-mortas, a representação de interiores, os pássaros e alguns objetos do cotidiano.
A mescla entre temas simples ou do cotidiano em representações complexas e abstratas fizeram com que sua obra ganhasse uma personalidade própria e muito associada ao cubismo. Também se destacam em seu estilo a utilização de texturas e cores variadas, ornamentos e outros elementos que marcaram suas obras. Ele também se destacou por ter inventado uma técnica inovadora na qual colava pedaços de papel nas telas pintadas.