Mesmo inserido no movimento cubista, Léger não se conformou com a representação unicamente conceitual. Por isso, em contraste com as formas retas de Picasso e Braque, ele usou formas tubulares e curvilíneas, conferindo umas características única às suas obras, em contraste com as formas retilíneas usadas por Picasso e Braque.
Essa singularidade pode ser percebida no quadro “Mulher de Azul”, uma das telas representantes do ápice de sua fase cubista.
As cores desempenham um papel importante nessa pintura, que representa o caos da cidade. Elas esbarram à medida que volumes e formas planas recuam e avançam no espaço, parecendo se sobrepor como peças de uma colagem, dando ao espectador a impressão de estar em uma esquina movimentada e barulhenta.
O autor acreditava que a beleza podia ser encontrada no mundo moderno cotidiano de objetos produzidos em massa, projetados para o consumo público.
A experiência adquirida na guerra, alimentou o interesse do artista pela figura humana. Ele alegou que esqueceu a abstração por volta de 1912, declarou: “por causa da crueldade, variedade, humor e perfeição absoluta de certos homens ao meu redor, seu senso preciso de realidade utilitária e sua aplicação no meio do drama de vida ou morte estávamos… me deu vontade de pintar com toda sua cor e mobilidade.”
A obra “Os Construtores” apresenta um enorme edifício através da técnica do corte da imagem, em cima e em baixo, de forma a parecer prolongar-se indefinidamente em ambas as direções. Acentuadas linhas verticais e horizontais demarcam os contornos das formas estruturais contra o céu azul, realizadas em intensas cores primárias, havendo aqui alguma evidência e influência do Cubismo.
Os enormes trabalhadores que se assemelham a robôs, movimentando-se sobre as vigas, e as nuvens que passam, contrastam em forma e em cor com o esqueleto metálico do edifício em construção. Tendo estudado e trabalhado num atelier de arquitetura, Fernand Léger, era fascinado com a tecnologia industrial e com as formas dinâmicas da maquinaria e da construção.
Fernand Léger nasceu em Argentan, na Baixa Normandia, França, no dia 04 de fevereiro de 1881. De família de camponeses normandos, ainda criança, mostrou seu interesse pelo desenho. Foi pintor e escultor, sendo um dos grandes nomes do Cubismo. Realizou também trabalhos como produtor de cinema.
A partir de 1911, conheceu Pablo Picasso e Georges Braque, os quais lhe transmitiram influências cubistas, nas quais se aplicou e trabalhou durante a maior parte da sua carreira artística. Com o início da Primeira Grande Guerra, Léger foi recrutado para as trincheiras. Após esta etapa da sua vida, a sua pintura passou a representar a sua admiração pelos objetos mecânicos, tendo especial interesse pelos tanques de guerra.
A partir de 1920, predomina em sua obra a figura humana enquadrada por elementos industriais. Ainda na segunda década do século, numa nova fase da sua vida, produz e dirige o filme O ballet mecânico.
O trabalho de Léger exerceu uma influência importante no construtivismo soviético. Os modernos pôsteres comerciais, e outros tipos de arte aplicada, também se vieram influenciar por seus desenhos. Em seus últimos trabalhos, realizou uma separação entre a cor e o desenho, de tal maneira que suas figuras mantêm seus formulários robóticos definidos por linhas pretas.