Uma obra bastante celebrada de Miró é Carnaval do Arlequim. O quadro alegre, com muitos elementos e muitas cores fortes, carrega o espirito do tema do carnaval. Ao fundo, na parte superior do lado direito, vemos uma pequena janela simples. O espaço do quarto, um ambiente cotidiano marcado pelo chao, pela parede sobria e pela janela, é invadido pelo festival de símbolos oníricos, coloridos e aleatórios do carnaval. A obra conta com uma serie de elementos surrealistas – ilustrações vindas direto do inconsciente.
A tela foi criada na fazenda da família, no verão/outono de 1925. O fundo sombrio, esfumaçado, com tons escuros foram característicos das pinturas desse ano. Miró vivia particularmente um bom momento depois de ter sido celebrado na sua recente exposição em Paris por outros colegas surrealistas. Das paisagens da fazenda que costumava pintar, Miró partiu para outro tipo de representação e experimentou um estilo completamente diferente ao produzir obras cada vez mais abstratas com poucos elementos. Aqui vemos um fundo com muitas manchas, respingos, cascatas, explosões, tinta escorrida, num tom sombrio.
As poucas referências presentes reconhecíveis fazem alusão aos sonhos, as alucinações e aos delírios – em sintonia com o projeto surrealista. Em Nascimento do Mundo destacamos os elementos pontuais coloridos, nesse caso um balão vermelho sustentado por uma corda amarela. O tema do nascimento do mundo já havia sido explorado por uma série de pintores ao longo dos séculos, mas Miró conseguiu encontrar um olhar novo sobre aquilo que considerou ser o seu “gênesis particular”. A sua maneira de interpretar a criação do mundo permite múltiplas leituras, entre elas, a de uma criança soltando um balão e brincando de pipa.
A obra carrega um titulo muito singelo que resume a peca – Corda e pessoas, eu. Há aqui uma novidade na criação de Miró ao incorporar objetos nos trabalhos, elementos externos – nesse caso a corda – que é pregada com ganchos sobre a placa de madeira pintada. Miró também criou peças nessa mesma fase utilizando o recurso da colagem. São poucas e primarias as cores na tela (o azul, o branco, o vermelho e o preto) e as representações das pessoas não nomeadas deformadas e condensadas disputam lugar com a corda, posicionada bem ao centro do quadro. A corda se encontra pregada de modo alongado, imitando a silhueta de uma pessoa, como se ela fosse também uma das criaturas representadas no quadro.
Joan Miró foi um importante pintor, gravador, escultor e ceramista espanhol. Contemporâneo do Fauvismo e do Cubismo, criou sua própria linguagem artística e retratou a natureza da forma como faria o homem primitivo ou uma criança. Foi um dos mais destacados representantes do Surrealismo. A arte de Miró nunca se tornou totalmente não-objetiva. Em vez de recorrer a completa abstração, dedicou a sua carreira a explorar vários meios pelos quais desmantelou preceitos tradicionais de representação.
Na sua obra predomina um tipo equilibrado de espontaneidade e automatismo encorajados pelos surrealistas com planejamento meticuloso e regularização, para conseguir obras acabadas que, parecessem plausível apesar do seu considerável nível de abstração. Miro trabalhou com cores ousados e expressivas. Nas suas obras surrealistas, de inspiração própria, ele inventou um novo tipo de espaço pictórico relacional. As suas teorias e conceitos, foram inspiração para as outras gerações futuras.