Na época em que a obra foi feita, a autora era mais conhecida por suas criações artísticas, incluindo designs têxteis, recipientes de madeira torneada, colares de contas etc.
Entre 1918 e 1920, ela fez uma série de esculturas de madeira torneada que chamou de “retratos”. No entanto, suas formas ovoides e padrões pintados evocam rostos semelhantes a máscaras que estão longe de ser naturalistas.
Dada Head combina peças de madeira torneadas produzidas mecanicamente e ornamentos de contas tipicamente associados ao artesanato doméstico para criar uma escultura que desafia os limites que separam o artesanato da arte. Taeuber-Arp fez esta escultura em Zurique, onde ela se associou ao Dadaísmo.
Durante a década de 1930, Taeuber começou a introduzir novos elementos em suas composições. Ela incorporou curvas, arcos e cores que reorientaram as direções limpas de suas grades anteriores.
É o caso desta pintura, onde apenas uma sugestão da grade permanece, mas orienta o arranjo das unidades geométricas de Taeuber. A alta precisão do traçado faz as cores pipocarem e, junto a isso, as sobreposições e certos ângulos inesperados produzem efeitos de profundidade e “desplanificam” as abstrações da obra.
Para alguns, o desenho desta pintura evoca um conjunto de braços de dançarinos, lembrando a formação da autora em dança e sua exploração ao longo da vida de pontos de encontro entre o figurativo e o abstrato.
Sophie Taeuber-Arp se tornou célebre com suas explorações na pintura e na escultura abstrata. Os relevos circulares da artista são um ponto alto nesse sentido.
Na obra o jogo de formas e cores parecem se mexer por si mesmo: tanto pelo desenho das formas, quanto pelos contrastes de cores e pela característica do próprio relevo, que parece se contrair ou se expandir dependendo do ângulo que se olha.
Nota-se uma fluidez de energia na obra que pode ter suas raízes na exploração corporal que Taeuber-Arp fez da dança. Ela mesma dizia que queria produzir “coisas vivas” e parece ter conseguido pois trouxe fluidez e vitalidade a diversos domínios artísticos.
Hannah Höck foi uma artista dadaísta alemã. Ela é mais conhecida pelo seu trabalho no período de Weimar – vigorou na Alemanha entre os anos de 1919 e 1933, no período de transição entre a Primeira Guerra Mundial e o Nazismo -, quando foi uma das criadoras da fotomontagem.
A fotomontagem é um tipo de colagem em que os itens colados são fotografias reais ou reproduções fotográficas retiradas da imprensa e outras mídias amplamente produzidas.
A obra de Höck pretendia desmantelar a fábula e a dicotomia que existiam no conceito da “Nova Mulher”: uma mulher enérgica, profissional e andrógina, pronta para assumir seu lugar como igual ao homem. Seu interesse pelo tema estava em como a dicotomia estava estruturada, bem como em quem estruturava os papéis sociais.
Outros temas-chave nas obras de Höck foram androginia, discurso político, sexualidade e discriminação racial. Todos esses temas interagiram para criar um discurso feminista em torno das obras de Höch, que encorajou a libertação e a agência das mulheres durante a República de Weimar e continua até hoje.
a) Corte com a faca de cozinha através da barriga de cerveja da República de Weimar, Colagem sobre madeira, 1919.
A obra é uma fotomontagem feita a partir do recorte de fotografias de publicações de mídia de massa e colando-as em um suporte para criar novas justaposições e novos significados. Esta é uma obra de arte complexa e em camadas que fala do momento tumultuado em que foi criada (o período entre a primeira guerra mundial e o nazismo).

Höch disse mais tarde: “Nós (os dadaístas) nos considerávamos engenheiros, afirmávamos que estávamos construindo coisas, dissemos que montamos nossas obras como montadores”. Essa estética de recortar e colar foi adotada como uma forma de crítica política e social.
A obra faz uma crítica direta a democracia da república de Weimar, combinando imagens de várias figuras políticas, estrelas do mundo do esportivo e artistas Dada, assim como imagens que refletem a industrialização da cidade. Corte com a faca de cozinha através da barriga de cerveja da República de Weimar foi apresentada em 1920 na Primeira Feira Internacional Dada e foi um dos quadros mais proeminentes e bem recebidos da mostra.
b) Fazendo a Festa, Técnica Mista, 1936.
A montagem tem como finalidade dar a algo completamente impossível, irreal, um aspecto de realidade, de coisa fotografada, ao exemplo desta obra da Hannah.
A autora reúne quatro princípios para a construção de suas colagens. O princípio da autonomia, o da distanciação, o do recorte e o da mistura.
A Hannah foi provavelmente a primeira autora a usar a técnica da colagem até as últimas consequências. Conseguimos ver na obra o fascínio da autora pelo acaso e pela possibilidade de fantasia através da técnica.

c) A linda Garota, Técnica Mista, 1920.
Hannah trouxe a sensibilidade dadaísta e o status de uma “Nova Mulher” para a sociedade. Ela trabalhou a identidade feminina em diversas obras.
Seu trabalho se tornou relevante não apenas para a cultura e a política de Weimar, mas também para a mudança dos papéis de gênero. Enquanto zombava dos políticos, também celebrava as vitórias das mulheres.
Höch se interessou em representar – e encarnar – a “Nova Mulher”, que usava o cabelo curto, ganhava a vida, podia fazer suas próprias escolhas e geralmente estava se livrando das algemas dos papéis femininos tradicionais da sociedade. Afinal, ela já vinha se sustentando há vários anos.
A exemplo da obra A linda Garota, a “nova mulher” foi retratada nas obras da autora. A autora foi objeto de elogios e escárnios na imprensa ilustrada de Berlim. A sua imagem, que aparecia com frequência em jornais e revistas, tornou-se matérias para fotomontagens da Hoch e sua celebração de novos e crescentes papéis para as mulheres.

d) Sophie Taeuber-Arp (1889 – 1943)
Destacou-se como uma das principais figuras da Arte Abstrata e Concreta, tendo importantes participações nos Movimentos Dada, na Suíça, no Neoplasticismo, Arte Concreta e Construtivismo em Paris.
Nascida na Suíça, Sophie saiu de casa aos 18 anos para continuar seus estudos em design têxtil na Alemanha. Ela foi design, professora, fabricante de fantoches, arquiteta, pintora, designer de interiores, escultora, joalheira, ilustradora e editora de revistas. Por meio do seu trabalho, realizou o desejo de “tornar mais bonitas as coisas que possuímos”.

Formada em artes, pela Escola de Arte Aplicada de Hamburgo, foi, durante pouco mais de uma década, professora na Escola de Artes e Ofícios de Zurique.
Em 1915, toma parte do Movimento Dada em Zurique, junto a outros artistas, entre os Jean Arp, com quem se casou em 1921.
A partir de 1928, passou a morar na França e, em 1930, participa da exposição internacional de Arte Abstrata e Tendências Construtivas do Movimento Círculo-Quadrado e assina a adesão à Arte Concreta. Ainda dentro da proposta desse grupo, George Vantongerloo e Sophie Taeuber fundam o Grupo Abstração-Criação.
No período da II Guerra Mundial, refugia-se em Grasse, sul da França, onde produz intensamente, com a colaboração de Alberto Magnelli, Jean Arp e Sônia Delaunay.
A autora foi uma das figuras-chave do movimento Dada. De colagens e aquarelas a cenários e esculturas de cabeças abstratas, as obras de Sophie dessa época são consideradas ícones do período.